Quem nunca ouviu a frase de que "a vida pessoal deve ficar do lado de fora da porta do escritório"? Embora esse discurso ainda seja comum, ele desconsidera um aspecto essencial da nossa existência: somos seres integrais.
O trabalho é, sem dúvida, o ambiente em que passamos grande parte da nossa vida, devido à carga horária e à rotina que ele exige. Ainda assim, a ideia de que conseguimos deixar completamente de lado nossa vida pessoal ao entrar nesse espaço é, na prática, uma construção pouco realista.
Transitamos por diferentes contextos, mas continuamos sendo a mesma pessoa em todos eles. Carregamos nossas experiências, emoções, valores e particularidades. A maturidade, nesse sentido, não está em separar completamente essas dimensões, mas em saber dosar o que compartilhamos, preservando aspectos que não contribuem para nossa atuação profissional, ou até com quem convivemos nesse âmbito.
No entanto, ignorar sentimentos decorrentes de vivências pessoais é algo humanamente impossível. Somos afetados por momentos difíceis, celebramos conquistas, sentimos cansaço, entusiasmo e diversas emoções que influenciam diretamente a forma como conduzimos nosso dia e, consequentemente, nosso trabalho.
Além disso, nossas características individuais também se manifestam no ambiente profissional: nossos interesses, hobbies e preferências acabam criando pontos de conexão com as pessoas ao nosso redor, fortalecendo relações e tornando o ambiente mais humano.
No contexto do PUCRS Carreiras, por exemplo, ao conduzirmos oficinas, incentivamos o autoconhecimento como ferramenta essencial para que cada pessoa consiga se apresentar de forma mais autêntica em processos seletivos. Em minha trajetória como recrutadora, procuro sempre explorar curiosidades, interesses e hobbies dos candidatos, pois esses elementos frequentemente geram identificação e ampliam o olhar para além do profissional, permitindo enxergar a pessoa por trás do currículo.
Diante disso, ao transitar em espaços profissionais, talvez seja o momento de revisitar essa ideia ultrapassada de separação absoluta. Compartilhar aspectos da sua vivência, quando houver conforto e contexto, não é um sinal de falta de profissionalismo, mas de autenticidade. Afinal, nossa existência é uma, e inevitavelmente impacta tudo o que fazemos, inclusive o nosso trabalho."